HERÓIS E HEROÍNAS NEGROS
Nesse 3º Dia da Consciência Negra queremos contar
uma outra história, uma verdadeira história de heróis, heroínas e super-heróis.
Heróis desconhecidos/as da população, como Zumbi, o líder do Quilombo dos
Palmares; Dragão do Mar, o jangadeiro que precipitou a abolição no Ceará antes
da Lei Áurea no Brasil; os Panteras Negras em 1966 nos EUA ou a Rainha Nzinga,
a heroína africana dos angolanos que enfrentou os portugueses no século XVI.
E O QUE SÃO HERÓIS E HEROÍNAS?
Quando o poeta grego Hesíodo compilou a série de
narrativas orais que ficou conhecida como os “Os trabalhos e os dias”,
em que ele descreve a jornada épica de Hércules, 800 anos antes da era cristã, seu
projeto de herói era bem diferente daquele pensado pelos desenhistas e
roteiristas das histórias quadrinhos consagrados da Marvel. Para os gregos, o
maior inimigo a ser vencido pelo herói não é o vilão que rouba a velhinha e
ameaça a cidade. Ele mora dentro do coração humano e são os mesmos inimigos
cotidianos que temos hoje: o medo, o egoísmo, a vaidade, enfim, todas essas
limitações que nos fazem frágeis para enfrentar os desafios de nossa vida e de
nosso tempo.
Ironicamente, a maior batalha que o ator norte-americano Chadwick Boseman, o astro-protagonista do filme Pantera Negra,
da Marvel, enfrentou antes de morrer em 28 de agosto desse ano não foi nenhum
daqueles vilões que ele enfrentou diante de todos nas telas do cinema. O seu arquivilão
mortal foi um câncer de colón contra o qual ele lutou bravamente nos últimos 4
(quatro) anos.
PANTERA NEGRA – DOS QUADRINHOS AO FILME
O “Pantera Negra” americano surgiu nos
quadrinhos pela primeira vez em 1966, meses antes da organização nacionalista
negra de mesmo nome. Os autores dos quadrinhos foram Stan Lee e Jack Kirby,
dois brancos que haviam criado em 1963 um grupo de mutantes, os X-Men, vítimas
de ódio e discriminação. Influenciados pela efervescência daqueles anos
rebeldes, no número 52 de Quarteto fantástico eles se
atreveram a apresentar um super-herói negro. O sucesso foi imediato e a
história dos quadrinhos nunca mais seria a mesma (os pesquisadores de HQ
consideram a revista de número 52, a grande virada dos HQ)
Na telona, Pantera Negra superou a
cifra de 3,8 bilhões de reais, o terceiro filme de maior bilheteria da história
dos EUA. O longa-metragem despontou também como um fenômeno cultural, com um
elenco quase inteiramente negro. Mas, a maior contribuição de Pantera Negra
para a humanidade não foi enfrentar um inimigo imaginário que ameaçava destruir
o planeta. Foi devolver às crianças e adolescentes negros e negras a
visibilidade que durante séculos lhes foi negada na sociedade.
PANTERA NEGRA - TRAILLER DO FILME
PANTERAS NEGRAS
E não é só nos quadrinhos e nas telas de cinemas que
a imagem dos negros e das negras nos foi negada. A História contada pelos
vencedores: ricos, brancos, machos e heteros nega às mulheres, aos negros, aos
pobres e LGBTQIA+ o direito a participação, e principalmente, ao protagonismo.
A história dos Panteras Negras em 27 fatos importantes:
HISTÓRIA DO PARTIDO DOS PANTERAS NEGRAS
NZINGA, UMA HEROÍNA AFRICANA
Os portugueses chegaram na África em 1415. Desde então... escravizaram, colonizaram e usurparam riquezas e mercadorias. No seu ímpeto colonial destruíram e escravizaram famílias, desorganizaram sistemas econômicos comunitários, alimentaram conflitos existentes entre tribos e alimentaram e criaram outros, desmontaram Estados e reinos soberanos. Mas se alguém pensa que tudo isso ocorreu sem resistência e luta, está redondamente enganado. Em meio a essas lutas e conflitos emergiram verdadeiros heróis e heroínas que inspitraram gerações de africanos. Entre esses, ninguém pode ser mais emblemático que a rainha Nzinga, de Angola.
NZINGA - UMA RAINHA AFRICANA CONTRA A COLONIZAÇÃO PORTUGUESA
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